Raul Bopp

RAUL BOPP

(Santa Maria, RS, 1898 – Rio de Janeiro, RJ, 1984)

 Nascido na pequena Vila Pinhal, à época pertencente ao município de Santa Maria – RS, Raul Bopp, ao lado de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, foi um dos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Na cidade de Tupanciretã – RS, iniciou sua atividade de escritor com a fundação dos seminários O Lutador Mignon. Após viagem realizada para a Amazônia, na década de 1920, Bopp publica Cobra Norato (1931), sua obra mais conhecida e considerada a mais importante do Movimento Antropófago. Publicou também o livro de poemas Urucungo (1932) e os livros em prosa América, Notas de um Caderno sobre o Itamaraty, Movimentos Modernistas no Brasil: 1922/1928Memórias de um EmbaixadorBopp Passado a Limpo por Ele MesmoVida e Morte da Antropofagia e Longitudes. Como jornalista e diplomata, de 1942 a 1973, viveu em Los Angeles (EUA), Berna (Suíça), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF) e Porto Alegre (RS).

TÍTULOS

POESIA

Cobra Norato (1931)

Urucungo (1932)

Poesias (1947)

Mironga e Outros Poemas (1978)

PROSA

América

Notas de um Caderno sobre o Itamaraty

Movimentos Modernistas no Brasil: 1922/1928

Memórias de um Embaixador, Bopp Passado a Limpo por Ele Mesmo

Vida e Morte da Antropofagia

Longitudes

REFERÊNCIAS CRÍTICAS

CARDOSO, Ana L. Leitura do mito da serpente em Cobra Norato, de Raul Bopp, e a serpente emplumada, de D. H. Lawrence. Interdisciplinar. Sergipe, v. 7, nº. 7, Ano 3,  Jul/Dez 2008. Disponível em http://200.17.141.110/periodicos/interdisciplinar/revistas/ARQ_INTER_7/INTER7_Pg_115_135.pdf

OLIVEIRA, Viviane C. Escritos em prosa e verso de Raul Bopp: releituras do modernismo. 2010. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2010.

SILVA, Érica. K. A. da; SILVA, Aline. C. A; OLVEIRA, Juliana G. de; O som e a representação da negritude em UrucungoCultura & Tradição. João Pessoa, v. 1, n. 1, 2011.

SELETA

Cobra Norato

I

Um dia
ainda eu hei de morar nas terras do Sem-Fim.

Vou andando, caminhando, caminhando;
me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes.
Depois
faço puçanga de flor de tajá de lagoa
e mando chamar a Cobra Norato.

— Quero contar-te uma história:
Vamos passear naquelas ilhas decotadas?
Faz de conta que há luar.

A noite chega mansinho.
Estrelas conversam em voz baixa.

O mato já se vestiu.
Brinco então de amarrar uma fita no pescoço
e estrangulo a cobra.

Agora, sim,
me enfio nessa pele de seda elástica
e saio a correr mundo:

Vou visitar a rainha Luzia.
Quero me casar com sua filha.

— Então você tem que apagar os olhos primeiro.
O sono desceu devagar pelas pálpebras pesadas.
Um chão de lama rouba a força dos meus passos.