VESTÍGIOS DO TEMPO: MIMESE E REALISMO NA TRADIÇÃO NARRATIVA BRASILEIRA

2021

Estudo de narrativas consagradas no mainstream de modo a compor uma série ensaística que prospecte o agenciamento discursivo dos fatos e, a partir daí, uma correlata interpretação de realidade. As narrativas selecionadas são: As minas de prata (1865), de José de Alencar; Os sertões (1902), de Euclides da Cunha; O tempo e o vento (1949-1962), de Erico Verissimo; Grande sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa; Quarup (1967), de Antonio Callado. Embora a ineludível recorrência a certa cronologia, a proposta é apresentar cada texto a partir de sua época tomando-o como base para colocar à prova hipóteses compreensivas e interpretativas sugeridas antes pela leitura das produções selecionadas do que impingidas por convenções pré-estabelecidas da crítica e do cânone historiográfico. A produtividade da crítica de Auerbach serve-nos como paradigma conceitual e metodológico. Assim como pensador opera em Mimesis, pretendemos buscar uma percepção aberta de realismo, com vistas a auscultar, em meio aos traços gerais de sua expressão, as particularidades que cada obra distingue da relação autor, realidade e imaginação. A interpretação focada nesses termos tem em vista alcançar como resultado um conjunto de estudos que esboce, ao invés de uma historiografia no sentido tradicional, uma linha de tempo demonstrativa da imposição do realismo na narrativa literária brasileira, suas alternâncias temáticas, transformações composicionais e intercorrências histórico-sociais.